Paradesporto 29/03/2014 13:45

Potiguar é ouro nos Jogos Para-Sulamericanos

Por admin

As primeiras provas da natação nos Jogos Para-Sulamericanos de Santiago, no Chile, já trazem boas notícias ao Brasil. Na piscina do Centro de Alto Rendimento da capital chilena, a potiguar Cecília Jerônimo foi a melhor na classe S8. O mineiro Victor Nogueira triunfou na classe S9, seguido pelos brasileiros Eric Tavares dos Santos e Andrey Garbe. Na S7 feminino, vitória de Beatriz Rodrigues, seguida por Dayane Silva e Esthefany Rodrigues.

Cecília Jerônimo foi a melhor na classe S8 (Crédito: CPB/Divulgação)

Cecília Jerônimo foi a melhor na classe S8 (Crédito: CPB/Divulgação)

 A vitória de Cecília veio com sua melhor marca nos 100m, com 1min15. O tempo oficial ainda será divulgado pela organização dos Jogos. Até então, sua melhor marca ficava na casa de 1min19. A diferença de quatro segundos, de acordo com a própria nadadora, se deu após a trocar sua cidade, Natal, no Rio Grande do Norte, por Indaiatuba, no interior paulista, para se dedicar à natação.
Revelada em uma edição das Paralimpíadas Escolares, Cecília recebeu, há dois meses, uma proposta para treinar na APIN, associação que representará nas Etapas do Circuito Caixa Loterias a partir deste ano. “Fiquei muito feliz com minha vitória, sinal de que a mudança já está fazendo resultado”, contou a atleta, que superou uma paralisia cerebral, que acomete os membros esquerdos.
O ouro nas piscinas de Santiago é mais um capítulo na história desta potiguar que desde os 3 anos se dedica à natação. Por recomendação médica, fez hidroterapia e aprendeu a nadar antes mesmo de dar os primeiros passos. “Só comecei a caminhar após os 5 anos de idade, antes disso, já sabia nadar”, contou a garota, uma das mais jovens da natação do país, com um largo sorriso.
O pódio triplo no feminino encheu Leonardo Tomasello, novo coordenador técnico da natação paraolímpica brasileira, de alegria. “Creio que, dentre os atletas que trouxemos para o Chile, quatro deles terão condições de compor a seleção principal a partir de 2015. Desse grupo, três devem ser mulheres”, vislumbrou o treinador.
A conquista de Victor Nogueira veio contra dois de seus amigos na seleção brasileira: Andrey Garbe e Eric Tavares. “Era uma prova muito difícil, porque são nadadores fortes”, contou. Mineiro de Patos de Minas, Victor largou melhor e fechou os primeiros 25 metros na liderança. Na última metade da prova, sentiu o cansaço, mas conseguiu administrar a vantagem e festejou seu primeiro ouro.
Ele é amputado da perna esquerda acima do joelho em decorrência de uma meningite ainda aos 3 anos de idade. Já jogou basquete em cadeira de rodas, mas dedica-se há mais de cinco anos às braçadas. Em Santiago, nadará mais quatro provas. “Acho que consigo mais medalhas”, previu o atleta de 21 anos. Esta é a primeira edição da competição sul-americana multidisciplinar em âmbito paralímpico. Oito países, incluindo o Brasil, disputam sete modalidades até o domingo, 30: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, halterofilismo, natação, tênis de mesa e tênis em cadeira de rodas. A delegação verde-amarela conta com 81 atletas.
Fonte: Assessoria de Imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro