Política 20/02/2021 06:00

Mesmo durante a pandemia, deputados do RS gastam R$ 1,3 milhão em viagens

Por admin

Entre março e novembro de 2020, os deputados estaduais do Rio Grande do Sul rodaram quase 1 milhão de quilômetros de carro. O gasto com essas viagens, mesmo durante a pandemia, foi de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos.

Os deputados que usam veículo particular em serviço recebem R$ 1,46 por quilômetro rodado. A maior despesa foi do atual presidente da Assembleia Legislativa (AL-RS), Gabriel Souza (MDB), e do deputado Mateus Wesp (PSDB). Cada um recebeu mais de R$ 91 mil em verbas, o equivalente a 62 mil quilômetros rodados — despesa maior do que em 2019, quando não havia pandemia.

“Nem poderia, num dos momentos mais difíceis da nossa história, me omitir de seguir participando de reuniões, indo até os municípios gaúchos para ver as necessidades e, junto com as lideranças locais e também com o governo do estado, encontrar soluções para os problemas que foram agravados pela pandemia”, diz Wesp.

Já o presidente da AL-RS disse, em nota, que durante a pandemia foi o período que mais recebeu demandas da sociedade, tanto no setor público quanto no privado, o que intensificou, segundo ele, o trabalho do mandato.

Segundo Souza, os valores apontados se referem a dois veículos utilizados por ele por sua assessoria. O modelo de ressarcimento, conforme o deputado, demonstrou ser mais eficiente e econômico que o uso de carros oficiais ou alugados.

Para a especialista em Direito Público e professora do curso de Direito da Ulbra, Michelle Fernanda Martins, o esperado para o período era o oposto.

Em abril de 2020, por exemplo, quando a AL-RS estava fechada, os deputados participavam de sessões virtuais. Nesse mês de isolamento, o gasto em viagens de carro foi de R$ 85 mil, ou 58 mil quilômetros rodados.

Os motivos das viagens não aparecem no Portal da Transparência da Casa.

“A gente não consegue verificar para que essa serve ou está sendo usado, qual o motivo, qual a justificativa disso. Principalmente em um ano que se trabalhou de casa ou deveria se trabalhar, então, qual o sentido disso? A gente precisa saber. A população precisa saber”, questiona a professora.

Fonte: G1