Política 09/03/2021 06:20

Lava Jato golpeou democracia e destruiu economia, diz cientista política

Por admin

Segundo levantamento feito pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a operação Lava Jato fez o país perder R$ 172,2 bilhões.

O estudo, encomendado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), diz ainda que o Brasil deixou de arrecadar 40 vezes mais do que o valor recuperado com a operação (R$ 4,3 bilhões).

Para Clarisse Gurgel, professora da Unirio (Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro), o relatório apenas confirma agora o que já era percebido no dia a dia da população brasileira. A cientista política diz que o levantamento “consegue traduzir por números fenômenos que têm sido cada vez mais cotidianos”.

“Algo que já tinha se experimentado no dia a dia da população brasileira, mas que agora se confirma em dados e números mais precisos, que é um contexto de absoluto abandono de um país que foi devastado, seja no que diz respeito a sua natureza, ao seu desenvolvimento, a sua independência, seja no que diz respeito as suas liberdades, a sua participação popular, a sua democracia e as suas instituições republicanas”, disse Gurgel.

Empregos destruídos

O estudo do Dieese também indica que o país deixou de arrecadar R$ 47,4 bilhões em impostos. Dessa quantia, R$ 20,3 bilhões seriam em contribuições sobre a folha de salários.

Segundo o levantamento, as consequências da operação Lava Jato provocaram o fechamento de 4,4 milhões de empregos. O setor mais afetado foi o da construção civil, que perdeu 1,1 milhão de postos de trabalho no país.

Para Gurgel, empreiteiras “foram cirurgicamente perseguidas pela Lava Jato”, que, segundo ela, teve como resultado nefasto a perda de investimentos que essas empresas e a Petrobras geravam. Além disso, Gurgel ressalta que esses empregos produziam “consumo e tributos”.

“Tudo aquilo que o governo Lula e o governo Dilma produziram de perspectiva de autonomia na geração de empregos e mercado, ruiu a partir do governo Temer e Bolsonaro”, disse a professora.

Brasil 247