Futebol 07/06/2021 06:23

Áudios derrubam Caboclo da presidência da CBF

Por admin

A Comissão de Ética da CBF decidiu afastar o presidente Rogério Caboclo após a entrega do material gravado pela funcionária vítima de assédio sexual. Coronel Nunes assume o cargo interinamente.

Na noite de 16 de março de 2021, o presidente da CBF, Rogério Caboclo, chamou uma funcionária da entidade à sua sala no segundo andar do prédio da entidade. O dirigente então sugeriu que ela tirasse a máscara e insistiu para ela aceitasse uma taça de vinho.

Desconfortável com a situação, ela sacou o celular e enviou mensagens para dois diretores da CBF. Era um pedido de ajuda. Um deles já havia deixado o prédio – e até perguntou se era o caso de voltar – mas o outro foi em seu socorro e inventou um pretexto para entrar na sala. A funcionária então aproveitou para deixar o ambiente.

Mas depois que o diretor foi embora, Rogério Caboclo a chamou novamente. E foi aí ela que resolveu gravar a conversa. O ge teve acesso a essa gravação, que fez parte de uma denúncia de assédio sexual apresentado por essa funcionária ao Comitê de Ética da CBF na última sexta-feira. Dois dias depois de o ge revelar o caso, Caboclo foi afastado da entidade por trinta dias.

O que aconteceu naquela sala já vinha se repetindo, segundo a funcionária. Na denúncia que fez ao Comitê de Ética da CBF, ela detalha diversas situações constrangedoras a que foi submetida por Rogério Caboclo. O presidente da entidade com frequência a insultava e a humilhava na frente de outros diretores – todos homens.

Trechos da transcrição do diálogo gravado:

Rogério Caboclo: Seu coração tá no cabeção ou no pilotão?

Funcionária: Em nenhum dos dois

RC: Em quem tá?

Funcionária: Não tá em ninguém, é verdade. Mulher consegue ficar bem sozinha.

RC: Eu conheço minha mulher há 26 anos… Já apaixonei, pirei por amor.

[…]

RC: Eu tinha te jurado que eu não ia falar sobre assuntos particulares. Ela tem a buceta dela e eu tenho o meu pau […] Eu sou horroroso?

Funcionária: Chefe, eu não vou entrar no assunto da vida sexual de vocês [ri constrangida].

RC: […] Ela vai fazer ginástica, vai voltar tesuda […]

Funcionária: Então, todo mundo… deixa ela ser feliz.

RC: Sabe o que eu sou contra? Nada […] Você quer uma taça de vinho? […] Não… se não parece que eu tô louco […] Posso te fazer uma pergunta?

Funcionária: Chefe, não vou me meter na sua vida sexual seu e da […]. Não vou, não vou.

RC: Não é isso. É na sua [vida pessoal].

Funcionária: Deixa a minha [vida pessoal] quietinha.

RC: Você consegue resistir ao […] todo dia dando em cima de você?

Funcionária: Consigo, nós somos amigos. Acabei de falar, consigo, ponto, nós somos amigos. E tá tudo bem, tá tudo certo, nós somos amigos, a gente se dá bem, ele no sofá, eu no quarto e tá tudo bem. (Nota da Redação: aqui, a funcionária fala sobre um colega de trabalho com quem divide apartamento)

RC: Eu não acredito.

Funcionária: Eu não tenho por que mentir, não.

RC: Tá bom. Segunda pergunta. Posso?

Funcionária: Fala.

[…]

RC: Você se masturba?

Funcionária: Chefe, tchau.

RC: Ei…

Funcionária: Não quero falar disso, não quero. Eu vou avisar ao […] que você tá lá embaixo.

“Cadelinha” e oferta de biscoitos para cachorros

Este diálogo ocorreu uma semana depois de, segundo a denúncia, a funcionária ter sido insultada durante uma jornada de trabalho na casa de Rogério Caboclo, em São Paulo. Após um dia inteiro de consumo de bebida alcoólica, o dirigente teria chamado a funcionária de “cadelinha”, e em seguida ofereceu biscoitos de cachorro para ela. Como a funcionária o repreendeu, ele então passou a simular latidos.

Fonte: GE